O Pianista e a 2ª Guerra Mundial no ensino de Química

Quando estava na escola e estudávamos a Segunda Guerra Mundial, lembro dos professores terem indicado o filme baseado em fatos reais O Pianista. Recordo que até cheguei a assistir, há muitos anos, e havia gostado :). Eis que estava procurando umas promoções no Submarino na última Black Friday e encontrei por pouco mais de 10 reais o incrível livro do relato 😢 que inspirou o filme! Imaginem se eu perderia essa promoção. Jamais.

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Ao terminar de ler, percebi que existem momentos que podem ser aproveitados no ensino de Química, bem como em outras disciplinas. Se quiser saber o compilado dos momentos e conhecer um pouco desse livro, continue lendo.

Vejo que muito se sugere aos professores para que trabalhem em conjunto com educadores de outras áreas e também sugere-se que desenvolvam práticas interdisciplinares. Lembro que na minha época de estudante, apesar de raras as ocasiões, trabalhávamos em conjunto em algumas disciplinas.

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Por isso, ao ler esse livro, pensei que talvez os professores de História, Química, Biologia, Sociologia (ou demais disciplinas) pudessem trabalhar esse livro com os alunos. Seria interessante, porque através da leitura do mesmo material os alunos poderiam explorar diferentes aspectos em um trabalho conjunto.

E que material, hein minha gente? Vocês PRECISAM conhecer. É sério! 😢 Este livro é o relato de Władysław Szpilman, um judeu polonês sobrevivente do Gueto de Varsóvia, lugar onde os judeus eram obrigados a morar aglomerados antes de serem levados aos campos de concentração em trens de gado, espaços que levavam 200 onde mal cabiam 40. Não somente judeus, mas também oponentes políticos, LGBTs (Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transexuais) e demais grupos cuja ideologia não condizia com a nazista.

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Entrada do Gueto de Varsóvia onde milhares de judeus poloneses eram obrigados a morar antes de os levarem ao extermínio nos campos. Todas as ruas do Gueto levavam ao muro que o cercava. Foto de julho de 1942.

Władysław conta de forma vívida e realista o que passou e qual é a realidade de uma guerra do ponto de vista dos perseguidos, em um relato escrito imediatamente após o fim da guerra. Fuzilamentos, ossos quebrados, fuzilamentos, unhas arrancadas, fuzilamentos, inanição, abuso de poder, tristeza, caos, sujeira, cadáveres… Já mencionei fuzilamentos?

A group of Jews are escorted from the Warsaw Ghetto by German soldiers on April 19, 1943
Grupo de judeus é escoltado do Gueto de Varsóvia (Polônia) por soldados alemães em 19 de abril de 1943.
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Atos de resistência no Levante do Gueto de Varsóvia em 1943 contra a ocupação nazista alemã na Polônia que só trazia desgraças.

De maneira geral, acredito que esta obra tenha relação maior com a disciplina de História, diria que uns 80% (gosto de expressar numericamente a intensidade das coisas) porque retrata o contexto da Segunda Guerra Mundial. No entanto, a Biologia se faz presente quando são relatadas as doenças decorrentes da situação onde as pessoas se encontravam, como o tifo e a tuberculose, principalmente por questões de falta de higiene e um ambiente propício à disseminação dessas doenças onde as vítimas eram obrigadas a morar.

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Garoto no Gueto de Varsóvia no verão de 1941.
A starving, helpless child lies on the streets of the Warsaw Ghetto, Sep 1941
Criança no Gueto de Varsóvia em setembro de 1941, quase um ano após terem sido obrigados a morar nesta região. A expulsão em massa para os assassinatos nos campos de extermínio começaram quase um ano depois, em julho de 1942.

Pra se ter uma ideia, pela falta de água, as pessoas se viam na necessidade de consumir água contendo moscas, aranhas e mosquitos mortos ou morreriam também de sede. Além disso, precisavam  consumir comidas estragadas que encontravam, onde pode ser feita uma relação com fungos, no caso dos pães mofados que foram consumidos.

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Cena do filme O Pianista (2002), de Roman Polanski, lançado dois anos após a morte de Władysław Szpilman.

Já para a Sociologia, em diveeeeeeersos momentos ele conta como se sentia, sua tristeza profunda e pensamentos suicidas. Não só ele mas as demais pessoas mencionadas pelo autor no livro. Assim, talvez essa obra também possa ser útil para os professores que queiram analisar a sociedade e os diversos grupos daquela época.

Quanto à Química, separei alguns tópicos que talvez possam ser estudados a partir da leitura deste livro, ou utilizados para exemplificação, não sei… O meu objetivo com isso é expôr aqui para que possamos discutir e propôr ideias do que poderia ser trabalhado, de modo que hajam reflexões também e não sejam trabalhados os conteúdos puramente químicos. Por isso, sugiram nos comentários aulas que poderiam ser desenvolvidas, se pensarem em algo! 😉

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Sobreviventes de um dos maiores campos de concentração nazistas, em Ebensee na Áustria.

Sobre os tópicos trazidos, são exemplos horripilantes de ações que eram demasiadamente praticadas. Minha intenção ao listar dessa forma não é de modo algum naturalizar o que aconteceu ou incentivar a prática a partir das possíveis discussões em sala, caso escolha trabalhar com este livro em sua disciplina. Esta foi apenas uma seleção das práticas que consegui relacionar com a Química ao ler o relato de Władysław Szpilman e marquei para compartilhar com vocês e conversarmos sobre possíveis aplicações, como já disse. Só pra frisar. 😶😞

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Valas de Bełżec (Polônia), primeiro campo de extermínio criado com o propósito de eliminação dos judeus poloneses.

● Câmaras de gás 

Em alguns momentos o autor menciona as câmaras de gás, para onde as pessoas eram levadas acreditando que iriam tomar um simples banho e eram assassinadas pelos gases liberados dentro das câmaras. Ele escapou da deportação para um desses campos de extermínio, mas suas irmãs, seu irmão e seus pais foram levados para Treblinka e não sobreviveram.

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Deportação de judeus do Gueto de Varsóvia (Polônia) para o campo de exterminação Treblinka em 1942.

No campo de extermínio de Treblinka não havia a seleção prévia adotada em Oświęcim (em polonês, conhecido como Auschwitz em alemão), onde, em geral, dez por cento dos que chegavam eram registrados como força de trabalho e tatuados com um número azul no braço esquerdo. Em Treblinka não havia qualquer seleção, e as pessoas não eram exterminadas pelo gás Zyklon-B, de ação rápida, mas pelos gases emitidos por motores a diesel. (Epílogo: 210)

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Câmara de gás em Majdanek (Polônia), campo de concentração nazista onde as paredes continuam azuis devido ao Zyklon-B.
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Lata de Zyklon-B.
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Crianças analisando as latas de Zyklon-B utilizadas na exterminação das vítimas de Auschwitz, no museu mantido na Polônia no local onde funcionou o campo.

Esse aspeto da combustão do diesel mencionado no trecho anterior do livro se assemelha de certa forma com o tópico apresentado em Incêndio logo abaixo, por causa dos gases nocivos à saúde liberados ao queimar tal combustível.

>> Páginas que mencionaram câmara de gás: Capítulo 6: 71, capítulo 7: 79 e 82, capítulo 9: 96, capítulo 12: 128, fragmentos do diário de Hosenfeld: 188, 191 e 195, Epílogo: 210.

● Cremação de inocentes 

Após as câmaras de gás, para os alemães nazistas não serem acusados de crime de guerra ao serem encontrados os milhões de corpos assassinados, eles passaram a deixar de enterrá-los em valas e passaram a queimá-los, para que a matéria orgânica se consumisse e restassem apenas as substâncias inorgânicas nas cinzas das vítimas.

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Fornos dos campos de concentração em Oświęcim (Auschwitz, em alemão) utilizados para cremar as vítimas.

Alguns fornos, de acordo com fragmentos do diário do Capitão Wilm Hosenfeld, queimavam as pessoas vivas:

Perto de Lublin, foram construídos fornos crematórios elétricos e é para estes fornos que são levadas pessoas infelizes para serem queimadas vivas. Milhares de seres humanos podem ser executados desta forma diariamente. Economiza-se munição e não se perde tempo escavando e aterrando valas comuns. (Fragmentos do diário de Hosenfeld: 191)

>> Páginas que mencionaram a cremação das vítimas: Capítulo 7: 79, Fragmentos do diário de Hosenfeld: 191.

● Incêndio 

Os alemães atearam fogo no conjunto de apartamentos onde Władysław Szpilman se escondia, provocando um grande incêndio. Neste trecho, ele relata o verdadeiro sufoco que vivenciou, mencionando também o gás monóxido de carbono e os efeitos sentidos em seu corpo. Relata ainda sua tentativa de suicídio, com as pílulas para dormir e ópio, para não morrer queimado, reconhecendo que a morte de seus familiares em Treblinka havia sido muito pior.

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Imagens do Levante do Gueto em 1943, quando poloneses reagiram à ocupação nazista que não parava de maltratá-los e levá-los aos campos de extermínio.

Eu e minhas colegas estamos preparando uma aula sobre incêndios que trata de combustão e os gases nocivos à saúde liberados e vamos usar esse trecho do livro em parte da aula. 😕

Sobre os gases maléficos à saúde, os provenientes da combustão do diesel também eram utilizados para assassinar as pessoas, como mencionei em Câmaras de gás.

>> Páginas que mencionam incêndio, fogo, chamas: Capítulo 2: 26, 27 capítulo 13: 135, capítulo 15:  152, 153 e 154, fragmentos do diário de Hosenfeld: 201, Epílogo: 210.

● Estados físicos da água 

Em dois momentos relacionei a leitura com os estados físicos da água. Primeiramente, quando ele relata que, para as vítimas defenderem-se da deportação do gueto para os campos de concentração, procuravam se esconder e as mulheres jogavam água líquida nas escadarias. Isso era feito para que os alemães que os viessem buscar tivessem dificuldades para subir, já que a água congelava ao perder calor para o ambiente devido à temperatura em que se encontrava.

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O segundo momento que relacionei a leitura aos estados físicos da água, foi quando o autor estava se escondendo dos alemães no inverno e a única forma de ele saciar a sede era transformando o gelo em água. Ele conta que simplesmente pôr o gelo na boca não acabava com sua sede. Por isso, deixava uma panela contendo a água sólida em cima de sua barriga e se envolvia num edredom, para que o gelo derretesse ao absorver calor do seu corpo.

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>> Páginas que mencionam as mudanças de estados físicos da água: Capítulo 12: 128, capítulo 18: 175.

 ● Suicídios com substâncias tóxicas 

A população judaica, ao ser obrigada a morar no Gueto de Varsóvia, teve alguns de seus judeus escolhidos pelos nazistas para fazer parte do Conselho Judaico, órgão administrativo responsável por organizar o trabalho escravo e auxiliar na deportação de outros judeus para os campos de extermínio, sendo uma espécie de ponte entre os judeus e os nazistas.

Quando os nazistas anunciaram uma proclamação de deportação para todos os judeus incapacitados ao trabalho e que os aptos ao trabalho deveriam trabalhar em fábricas locais alemãs, pela primeira vez uma proclamação não foi assinada pelo chefe do Conselho Judaico, o engenheiro Adam Czerniaków. Isso porque ele havia se suicidado com cianeto de potássio. (Capítulo 8: 90)

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Presidente do Conselho Judaico no Gueto de Varsóvia, engenheiro Adam Czerniaków, em março de 1942.

Além disso, há momentos em que se menciona o pensamento dos judeus em suicídio com veneno (Capítulo 13: 137, fragmentos do diário de Hosenfeld: 197), ópio e pílulas para dormir (Capítulo 15: 153). O livro retrata claramente o depressivo estado emocional em que as vítimas se encontravam.

>> Páginas que mencionam suicídio com substâncias tóxicas: Capítulo 8: 90, capítulo 13: 137, capítulo 15: 153 e fragmentos do diário de Hosenfeld: 197.

● Bombardeios e explosões 

Como vocês devem imaginar, é infelizmente o típico cenário das guerras. O livro todo menciona esse tipo de ataque, principalmente de granadas. Desisti de marcar esses trechos, pois eles estão por toda parte. Em qualquer página que abrir, a probabilidade de encontrar um termo relacionado é grande! 😣

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Varsóvia após o fim da Guerra em 1945.

>> Páginas que mencionam esse ataque: Capítulo 1: 14, 16, 18 e 20, capítulo 2: 24, 26, 28, 29, 30 e 31, capítulo 3: 34…

● Vagões de gado para transporte 

Władysław Szpilman conta que à medida que os vagões de gado iam chegando para buscá-los e levá-los aos campos de concentração, vagões esses que mal cabiam 40 e levavam 200, uma brisa sufocante fétida de cloro circulava entre eles.

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Homens, mulheres e crianças sendo levadas aos campos de concentração nos vagões. Nesta foto colorida artificialmente, iam para o terrível campo de Treblinka. Não sabiam pelo que esperar, provavelmente achando que teriam uma vida normal, pois lhes diziam para levar malas e comida. Imaginem o pânico que seria instaurado caso soubessem da verdade, os alemães  perderiam o controle.

Se as emanações tornavam o ar irrespirável a uma certa distância do trem, o que deveria se passar no seu interior, com o chão dos vagões cobertos por uma espessa camada de cloro? (Capítulo 9: 105)

Acredito que aqui ele não estivesse se referindo ao gás cloro nem a um possível cloro sólido. Provavelmente era alguma substância contendo cloro, mas decidi trazer esse exemplo também, caso lhe seja útil de alguma forma.

>> Páginas que mencionam esse cheiro: Capítulo 9: 104 e 105.

● Panfletos envenenados 

Uma pesada cortina de fumaça cor de sangue pairava sobre os edifícios. As ruas e as calçadas estavam cobertas por panfletos alemães, que ninguém pegava, pois — acreditava-se — estariam envenenados. (Capítulo 2: 30)

Esse trecho nada menciona sobre a certeza de estarem envenenados ou quais seriam as substâncias, mas decidi trazê-lo porque pode ser que seja útil de alguma forma.

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Então, gente, foi isso que eu marquei durante a leitura para mostrar para vocês, por achar mais próximo das discussões químicas. Lembrando que essa seleção eu fiz mais como forma de divulgação, para que vocês vejam se querem trabalhar alguns pontos mais relativos à Química, caso haja alguma atividade na sua escola ou aula envolvendo a leitura desse livro. E, a partir dessa divulgação, possam realizar suas pesquisas, preparar suas aulas, comentar comigo no fim desse post como achariam  interessante desenvolver uma aula… Enfim. :)

Acho importante que mesmo que seja trabalhado algum desses aspectos químicos, se trabalhe também os aspectos humanos nas aulas de Química, para que haja reflexão e conscientização e não fique a Química pela Química. Talvez, ao abordar exclusivamente os aspectos químicos, pode ocorrer uma naturalização de fatos como, por exemplo, o assassinato e a cremação dos judeus, LGBTs e inimigos. Mesmo que a naturalização não seja nosso objetivo.

Quanto às especificações técnicas da edição que adquiri (econômica):

o-pianista-livroTítulo: O Pianista
Autor: Władysław Szpilman
Edição: 6 ª ed.
Ano: 2015
Editora: BestBolso
Páginas: 223 págs.
ISBN: 9788577990344
Preço: ~ R$ 20 (novo), ~ R$ 12 (usado)
Material: Brochura sem orelhas e folha branca
Onde encontrar: Submarino, Livraria da Folha, Livraria Cultura, Shoptime, AmericanasAmazon,  Estante Virtual (usado)

Créditos das imagens

Abaixo, os livros de relatos que mais gosto sobre a temática e que vocês precisam ler!!! 😱Depois de Auschwitz, O menino da lista de Schindler, Os sete últimos meses de Anne Frank e O Diário de Anne Frank. Se quiserem saber sobre algum desses livros, me perguntem nos comentários… Já adquiri e estou prestes a ler Os colegas de Anne Frank e A Lista de Schindler. 😥

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Por hoje é só, gente.
Deixem suas sugestões e comentários, vamos nos ajudar.
Até mais! ✌️

Karoline dos Santos Tarnowski

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8 comentários sobre “O Pianista e a 2ª Guerra Mundial no ensino de Química

  1. Parabéns pelas boas ideias que vc teve. Qto ao gás a que vc se referiu, provavelmente é a amônia, que nesta mesma época foi sintetizada em laboratórios pelos alemães. Nas apostilas das escolas estaduais de SP, vc encontra a matéria sintetizacao da amônia pelo processo Haber-Bosch.

    • Obrigada, Nilsen! Mas nem considero muito elas ‘minhas’ porque elas simplesmente apareceram durante a leitura KKK, mas obrigada de qualquer forma 😀 . Você diz isso nas partes dos vagões de gado pra transporte? Isso da amônia… Ah, obrigada por deixar seu comentário! Como disse pra outra moça que comentou, sinto que não estou falando sozinha haha

  2. Muito bom!!! Estou trabalhando em um projeto no qual utilizo um livro fictício com um conteúdo de Química incrível. Na verdade são muitos os livros no qual podemos usar nas aulas de Química ( e em qualquer outra disciplina). Acredito que fazer uso dessa metodologia torna mais fácil, na prática, a articulação entre as disciplinas, sem contar as incríveis discussões que podem ser geradas durante as aulas, contribuindo assim para uma educação mais crítica e cidadã.
    Parabéns pela iniciativa =)

  3. Olá Karoline, muito legal este post. Legal mesmo. Estou estudando licenciatura em Química, e to achando ótimas suas ideias. Obrigado

Me conte o que achou desse post. Vamos bater um papo! :)

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