Aulas de Química e a Base Nacional Comum

Você tem ouvido falar da Base Nacional Comum Curricular? Sim? Não?! Então leia este post porque ela vai mudar a forma com que lidamos com as aulas de Química. Este texto se trata do ensino brasileiro, mas acredito que seja válida a leitura para todos os colegas do exterior que acompanham este site! 😀

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A Base é uma cartilha para a renovação e o aprimoramento da educação básica como um todo, que visa deixar claro os conhecimentos essenciais aos quais os estudantes têm o direito em todo território nacional.

De acordo com MEC, a partir dela os professores continuarão podendo escolher os melhores caminhos de como ensinar e quais elementos precisam ser somados nesse processo de aprendizagem e desenvolvimento de seus alunos, respeitando a diversidade, as particularidades e os contextos onde estão inseridos.

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Ao que diz respeito à área da Química (pág. 220-234), é apresentado em pouco mais de duas páginas um texto inicial muito interessante que trata da importância do ensino desta ciência para os nossos alunos do Ensino Médio, para que estes desenvolvam sua criticidade podendo reconhecer como a Química influencia suas vidas, a sociedade e o mundo no qual estão inseridos! Recomendo a leitura. Abaixo encontram-se pequenos trechos desse texto mencionado. 😀

Estudar Química no Ensino Médio ajuda o jovem a tornar-se mais bem informado, mais crítico, a argumentarposicionando-se em uma série de debates do mundo contemporâneo. As mudanças climáticas e o efeito estufa, o uso de feromônios como alternativa aos agrotóxicos no combate às pragas agrícolas, a necessidade de informações sobre a presença de transgênicos em rótulos de alimentos e os custos ambientais das minerações são apenas alguns exemplos de assuntos em que o conhecimento químico é vital para que o/a estudante possa posicionar-se e tomar decisões com consciência.

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O estudo da Química, nessa perspectiva, envolve a participação dos jovens e adultos em processos de investigação de problemas e fenômenos presentes no seu dia-a-dia. Ao investigar questões relacionadas, por exemplo, ao lixo, à poluição dos rios e lagos urbanos, à qualidade do ar de sua cidade, os/as estudantes terão oportunidade de elaborar seus conhecimentos, formulando respostas que envolvem aspectos sociais, econômicos, políticos, entre outros, exercendo, desse modo, sua cidadania.

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Esse texto de apresentação me faz lembrar daquele livro que Educação em Química 2compartilhei com vocês sexta retrasada, Educação em Química – compromisso com a cidadania. Vocês também acharam? Ao que parece, analisando o histórico do ensino de Química no nosso país, estamos caminhando para um ensino desta ciência preocupado com a formação dos cidadãos, sem é claro, deixar de lado a base química científica.

Ao analisar o material da Base proposto, que está em fase de consulta pública até março (abaixo explico como mandar sugestões), percebi que as sequências de ensino sugeridas são bem diferentes do que tem sido feito nas aulas de Química do Ensino Médio hoje. Pelo menos o Ensino Médio com o qual tive contato. Deixe-me explicar. 😉

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Para a organização do currículo de Química são propostas as 6 unidades de conhecimento listadas abaixo que remetem aos grandes temas da Química e a algumas práticas de investigação relevantes para a sociedade brasileira. Para cada unidade são propostos exemplos com abordagens de conhecimento conceitual; contextualização histórica, social e cultural; processos e práticas de investigação; e linguagens da ciência e da natureza.

1) Materiais, propriedades e usos: estudando materiais no dia-a-dia;

2) Transformações dos materiais na natureza e no sistema produtivo: como reconhecer reações químicas, representá-las e interpretá-las;

3) Modelos atômicos e moleculares e suas relações com evidências empíricas e propriedades dos materiais;

4) Energia nas transformações químicas: produzindo, armazenando e transportando energia pelo planeta;

5) A Química de sistemas naturais: qualidade de vida e meio ambiente;

6) Obtenção de materiais e seus impactos ambientais.

De acordo com a proposta:
– O 1º ano do EM trabalha com as unidades 1, 2 e 3.
– O 2º ano do EM aborda as unidades 2, 3 e 4, mas com enfoques diferentes.
– O 3º ano do EM trabalha as unidades 5 e 6.

Mas você pode estar se perguntado…
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VAMOS VER EXEMPLOS DE AULAS PROPOSTAS PELA BASE?

> Preparei esses slides com alguns dos exemplos propostos inicialmente pela Base, que ainda está em fase de consulta pública. Fiz isso para não ficar muito cansativo ler todos neste slide.

> Na caixa superior se encontra em qual das 6 unidades temáticas aquela aula se encaixa e qual é a abordagem proposta (conhecimento conceitual 📚; contextualização histórica, social e cultural ⏳; processos e práticas de investigação 🔎; ou linguagens da ciência e da natureza 🔡). Abaixo desse caixa encontram-se os objetivos e exemplos propostos pelo documento.

Nesses slides eu trouxe as propostas mais diferentes do que geralmente observamos ser feito nas escolas com o Ensino Médio. Como, por exemplo, ao ser trabalhado com o 1º ano questões relativas à reciclagem, verificação da adulteração de combustíveis, a utilização de tintas desde a pré-história…
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Com o 2º ano, o trabalho com fármacos tão comuns em sua vida cotidiana, porém tão pouco trabalhados na escola; o reconhecimento dos principais componentes dos alimentos e seu papel no organismo, além das causas de obesidade e desnutrição; a leitura e interpretação de textos científicos, bem com a produção de textos sobre temas químicos.

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Além disso, ainda para o segundo ano, há a proposta de valorização dos saberes populares que o Attico Chassot já defendia em seu livro Alfabetização Científica. (Sobre ele, gostaria de fazer um post futuramente… O que vocês acham?) Há, ainda para esta série, as questões relacionadas aos combustíveis fósseis, bem como suas consequências ambientais e políticas.

Quanto ao 3º ano, este não será mais exclusivamente de Química Orgânica, pois trabalhará questões como parâmetros de qualidade de água, ar e solos. Outra proposta é, inclusive, o estudo dos transgênicos, tão presentes no cotidiano mas pouco estudados na escola. Assim, com a abordagem de linguagens, os alunos produzirão materiais voltados à comunidade para conscientização. Dessa maneira, há o envolvimento da escola com a sociedade na qual está inserida.

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É claro que o que será estudado não se resume apenas ao que eu vos apresentei. Como havia dito, o que trouxe são propostas que diferem um pouco do que estamos acostumados a ver no ensino de Química hoje.

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Por isso, recomendo fortemente que leiam a seção de Química (e as demais também, se puderem) da Base Nacional Comum Curricular. Você pode lê-la clicando aqui, nas páginas 220-234! OOOU você pode ler online, bem mais prático, indo diretamente no site. Veja logo abaixo aqueles passo-a-passos. 😉

Como está em fase de consulta pública, o MEC precisa da nossa opinião sobre ela! Vocês já assistiram esse vídeo de apresentação? Gostei dele. Bem produzido, né?

 

E aí, está pensando em contribuir com a Base Nacional Comum e não sabe como?

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É bem simples e rápido. Como foi dito no vídeo, é através do Portal Base Nacional Comum que vocês podem deixar as contribuições. Para acessá-lo, clique aqui.

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Mas vamos ao passo-a-passo, caso se sinta perdido(a) 😀

1⃣ Lá, você deve se cadastrar.

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2⃣ Após, você pode clicar em “INTERAJA” e verificar naquela coluna lateral o que há na área de Química. Para isso, clique em NAT e faça seguintes seleções. Veja.

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3⃣ Então, clique nesse último “Aplicar filtro“. Você verá todas as propostas apresentadas pelo documento da Base que passei o link anteriormente. Caso não tenha lido em PDF, pode fazer a leitura das propostas aqui.

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4⃣ Verás os anos, as 6 unidades temáticas como UCQs (Unidade de Conhecimento Químico), assim como na imagem abaixo, as abordagens e os exemplos discutidos anteriormente, onde mostrei alguns deles por slides.

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5⃣ Após a leitura, para dar sua sugestão clique em “CONTRIBUA”, como mostrado abaixo.

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6⃣ Selecione uma das séries, clique em ‘Novos objetivos’ e preencha o questionário.

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7⃣ Abaixo sugeri como exemplo aquela aula oxirredução com um problemão que mostrei pra vocês, lembram?

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Assim, vocês poderão contribuir com todas as áreas que desejarem, pois o procedimento é o mesmo.

8⃣ Se quiser, poderá contribuir também com o texto de apresentação disponível no PDF/site.

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Como na frase apresentada pelo MEC, “Os leitores críticos são convidados a indicar possíveis falhas, alterações necessárias, aprimoramentos desejáveis“. Contribua você também. ❤

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Segundo o MEC, mais de 9 milhões de contribuições já foram realizadas! 😀

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Quer contribuir? Então atenção! Você só tem até o dia 15 de março desse ano!

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Então, gente, por essa sexta é isso…

💬 – Comentem aqui o que vocês acharam desse post, o que vocês sugerirão ou já sugeriram para a Base, se vocês querem que eu faça um post sobre aquele livro que mencionei… Vamos conversar um pouco.

👍 – Pra não esquecer de conferir posts novos, curta o Química em Prática no Facebook e/ou siga com seu e-mail. Ele aparece na barra lateral se você está no computador ou no final da página, se você lê pelo celular. Sempre que tiver post novo, eu aviso. 🙂

👧 – Compartilhe o site com os amigos, se gostar do material.

✅ – Já votou na enquete sobre o que gosta de ler aqui? Não? Então vota. 🙄  Ela aparece na barra lateral se você lê pelo computador ou no final da página, se você lê pelo celular.

☀ – Tchau, até sexta que vem!

Karol Tarnowski

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15 comentários sobre “Aulas de Química e a Base Nacional Comum

  1. Karoline, bom dia! Gostei da postagem. Há possibilidade de vc enviar os slides dos conteúdos trabalhados do 1º ao 3º ano da BNCC para a disciplina Química?
    Abraços!
    Professor Mailson Ferreira
    mnrferreira@hotmail.com

  2. Olá Karol! Excelente esse seu post! Por que vc não o revisa ou monta outro artigo agora após a 2a. Versão ter saído? Por exemplo, as páginas onde estão os conteúdos de química mudaram. Acho que pouca coisa mudou. Ficou muito interessante agora. O que vc achou? Mas os professores terão um trabalho para remontar. Acho que com o novo ensino médio publicado recentemente haverá necessidade de separar o conteúdo básico que será obrigatório do conteúdo flexível. Não creio que a divisão por Série somente seja suficiente. Pois será obrigatório somente até o 1o. semestre da 2a. série. E acho que todos os alunos que receberão o conteúdo obrigatório devem ter as informações gerais sem aprofundamento. Já o conteúdo flexível deverá se aprofundar mais, ou seja, a partir do 2o semestre da 2a. série. Como vc dividiria as unidades curriculares, ainda da mesma forma? O que da 2a. série ficaria na grade obrigatória e o que iria para a grade flexível? Vamos discutir isso? e

  3. Karoline boa noite! Ótimo este post. Há possibilidade de enviar os slides dos conteúdos trabalhados do 1º ao 3º ano da BNCC? sou bacharel em contabilidade e recentemente fiz licenciatura em matemática, entrei na carreira docente e preciso de material pedagógico para trabalhar a disciplina de Química.
    Abraços,
    Edson Souza Pinto
    edsons_cic@yahoo.com.br

  4. Achei bastante interessante. Além do ensino dos conteúdos teremos um ensino voltado a aplicação dos mesmos, tanto com abordagem cotidiana, como formando pessoas aptas a intervirem criticamente na realidade em que se encontram. Espero que na prática seja condizente com o que foi proposto e teremos uma melhora significativa na educação brasileira. Juntamente espero que a formação de professores seja ágil em se adequar essa essa proposta, e formar professores que estejam aptos a utilizar esse modelo de ensino.

    • Sim, é verdade. 😀 Acredito que a formação de professores esteja seguindo nesse caminho mesmo, porque nas disciplinas e eventos sobre o ensino de Química temos discutido essas questões. Porém, leva um tempo até a adaptação, né? Mas antes tarde do que nunca haha. Obrigada pelo seu comentário.

  5. Creio que, mesmo com ensinamentos considerados hoje “retrógados” pelos atuais especialistas em ensino de 2º grau, o Brasil conseguiu formar grandes Químicos e Engenheiros Químicos, que abraçaram com amor os conhecimentos adquiridos na época e construíram um País, sobejamente reconhecido e admirado internacionalmente. Meus sinceros pêsames a estes evolucionistas que conduzirão os ensinamentos de “química. física, matemática e biologia” a zero.

    • Oi Benjamin, obrigada por sua contribuição. Sem dúvida, temos grandes profissionais nas áreas químicas. No entanto, não concordo que estejamos caminhando para um ensinamento ‘zero’ de Química. Como disse anteriormente, as propostas que apresentei nesse post sobre a base são as que são um pouco diferentes do que se ensina hoje. Ao ler a base, principalmente nas abordagens classificadas como conceituais, ainda serão trabalhados assuntos mais ‘puros’ de Química. No entanto, não devemos ensinar essa ciência com fim em si mesma, sem qualquer conexão com o mundo em que os estudantes vivem. Afinal, o objetivo da aprendizagem de Química no ensino médio não é a formação de pequenos cientistas ou técnicos, mas um estudante que tenha capacidades de verificar esta ciência no meio em que vive e também fora dele. Quantas vezes ouvimos na escola que alguns assuntos são ‘inúteis’? Às vezes nem são ‘inúteis’ (embora possa ser também, dependendo do que se trabalha), mas abordados de uma maneira inadequada, sem fazer conexões com o mundo… e isso não significa que simplesmente exemplifiquemos com assuntos relacionados. O que vejo na Base é que ela busca um maior envolvimento deste aluno com o mundo, e que consiga fazer isso através da Química. Enfim… Qualquer coisa, estou a disposição. 🙂

      • Espero que mude então a forma do ENEM e de vestibulares, porque caso contrário será inútil essa ideia de formar cidadãos críticos e blá blá blá. Na hora dessas avaliações, as questões estão pouco relacionadas com esse novo jeito que querem ensinar. Pega o ENEM do ano passado. As questões de química até que traziam um assunto do cotidiano, mas na hora de resolver tinha que saber conteúdo puro.

  6. Excelente texto! Adorei a forma com que você explicou e instruiu os leitores que querem saber mais sobre a BNCC. Espero que o pessoal divulgue bastante em pró de uma educação melhor!

  7. É muito importante conhecermos as propostas de legislação que entrarão em vigor e qual a nossa relação com estas novas formas de ver a educação. Boa leitura a todos. Vale uma análise profunda!

Me conte o que achou desse post. Vamos bater um papo! :)

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